terça-feira, 23 de março de 2010

Poder

A monstra. A famigerada. A cruel. Sim, ela: a cólica. Como se já não me bastasse essa minha alergia a "sabe-se-Deus-o-quê" que me faz espirrar, lagrimar e fungar a cada 5 minutos, me fazendo ficar constantemente com um lenço e um descongestionante nasal ao lado (me lembrei daquela personagem do "Manual de Sobrevivência Escolar do Ned...aiaiai), ainda tenho que aturá-la também. Mas como eu estaria feliz se tivesse que aturar apenas esses dois incômodos. Contudo, meu incômodo vai um pouco além disso.

Primeiramente, tenho que aguentar os "Bianca, isso?", "Bianca, aquilo?" dos meus jovens padawans. São jovens, ainda estão aprendendo...devo ter paciência. Contudo, devo também me lembrar que o raciocínio é algo que se experimenta, e não se ensina propriamente. Vou tentando seguir esse meu pensamento, aos trancos e barrancos, mas vou tentando. A Força aguarda por eles.

Fujo para a sessão, e lá me ponho a pensar no título deste post: poder. Fico a observar a postura dos poderosos. Tento, mas não consigo: tenho que fazer alguma crítica. Penso eu: porque estamos aqui todos embecados (inclusive eu, naquela beca em que cabem duas de mim), nesta sala bonita, se tudo isso é intimidador? A pessoa que realmente precisa daquele serviço, a pessoa que será atingida pela decisão que ali está sendo tomada não entende o porquê das becas, o porquê dos rostos mal-humorados e dos olhares que aparentemente soltarão lasers se você pedir alguma informação. Porque o poder fez isso a eles? Melhor: porque eles permitiram que o poder fizesse isso a eles?

O poder de decidir o caminho que tomará a vida, os negócios, os bens, a família de outra pessoa é muito sério. E por esse motivo deveria ser mais humano. A Casa da Justiça se torna a Casa do Medo com seu piso de mármore, mas com servidores (eles têm sim o poder, mas nem por isso deixam de ser servidores, tal qual eu sou) que se embrenham por elevadores privativos para não ter que encarar os seus patrões: o povo. Sim...aquele senhor que me liga todo o dia perguntando a mesma coisa sobre o mesmo processo é patrão. Meu e deles. Não importa se ele se tornou chato, tenho que prestar uma resposta efetiva e satisfatória. Aquela senhora que sempre me procura querendo saber do processo que está em Brasília há meses também é patroa. Não importa se ela não tem crédito pra ligar pro advogado dela, e por esse motivo ela me procura.

Por isso as pessoas costumam ou me amar ou me odiar. Ou me acham muito boa ou muito hipócrita. Porque eu gosto disso. Gosto de tratar aquela senhora do mesmo jeito que eu trato aquele advogado bem arrumado de cabelos brancos. O que eu fizer para um, o outro poderá me pedir que eu farei da mesma forma. Não estou nem aí se eu ouço um "Tu tem que deixar de ser besta", ou "Deixa esse pessoal esperar". O "não" que eu digo a um filho de magistrado (eu sou filha de duas pessoas que nunca roubaram na vida. Você pode dizer isso do seu pai?) é o mesmo "não" que eu vou dizer àquele tiozinho se ele me pedir algo que não possa fazer. E não me importo se você me achar desrespeitosa com o meu "não". É minha forma de dizer "você é igual a mim, sr. filho de juiz". Minha forma de me impor. E ah, como eu gosto disso.

Se eu tivesse o poder? Se eu mudaria? Talvez. Não sei. Dizem que basta tê-lo para mudar na tentativa de manê-lo. É bem possível, ué! Ainda não estive lá em cima pra saber. No entanto, ahco que ainda prezaria o fato de ter o privilégio de deitar minha cabeça no travesseiro e poder ter uma noite de sono agradável. Ou não. Quem sabe?

Temo pelos meus jovens padawans. Acho que estou conseguindo passar a mensagem, mas...só o tempo dirá.

Ia conversar a respeito com meu ouvidor-geral. Mas ele estava tão alegre contando do dia dele e perguntando se eu estava bem das cólicas, além de estar morrendo de sono que preferi deixar o papo filosófico para o blog. Além do mais, estava com saudade. Não convém gastar o pouco tempo disponível com questões mais profundas. Deixo para o final de semana, ouvidor?

Fico por aqui. Me liga o cliente dando uma de Renato Russo, desdizendo tudo o que tinha dito antes, querendo a ação para quinta-feira (o combinado era quarta-feira que vem). É...pelo menos me livro logo. Vamos ver.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Não...mas...

Não...
Não procure entender minhas frases pseudo-filosóficas. Elas simplesmente nascem. Saem. Não precisa fazer sentido pra você. Deixe apenas que façam sentido para mim.
Não se assuste com as minhas carências repentinas.
Não queira saber tudo a meu respeito, pois nem eu mesma sei.
Não se queixe das saudades que sinto dos lugares que só conheço nos meus sonhos.
Não se ofenda se eu não quiser seguir um conselho seu. O livre-arbítrio existe.
Não se admire das minhas risadas inoportunas.
Não me leve tão a sério.
Não tente me prender. Eu sempre fujo.
Não me considere uma teoria revelada.
Não acredite nos meus sorrisos nervosos. Na verdade eu quero chorar.


Mas...
Me abrace.
Me olhe enquanto durmo.
Segure a minha mão quando o medo bater.
Não diga nada quando as palavras nada dizem.
Faça aquele olhar que diz "eu estou com você".
A sua existência significa algo para mim. Algo relevante. Importante.

Só sentimentos arrumados em frases. Só isso.