quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Às vezes é preciso que eu me perca para me encontrar novamente. Enquanto estou perdida, sinto o vazio, a solidão, os espinhos me ferindo os pés e o desespero de achar que a luz está em um lugar inalcançável.

Mas até mesmo me reencontrar é difícil. Por mais que a ilusão não possuísse a natureza da verdade, ela era confortável. Por ser ilusão, embriagava os sentidos, fazia ver sonhos que não poderiam ser realizados, não daquela maneira inverídica. A saudade é dessa embriaguez. Apenas dela.

É a falta dessa embriaguez que faz a jornada em busca da luz mais difícil. Não há mais nada para entorpecer. A luz começa a ferir os olhos, e não há nada que anestesie a dor. A cabeça fica zonza com o impacto, afinal, estava nas trevas. As pernas, desacostumadas a andar livremente, cambaleiam um pouco. Mas o cheiro do campo, pouco a pouco, entra nas narinas e mostra um cenário novo.

E nesse momento, o medo volta, a saudade do torpor! Medo de descobrir aquele campo imenso! É lindo, iluminado, cheio de novas possibilidades...mas o medo insiste em me fazer sentir falta do vício da ilusão. Contudo, percebo as vozes amigas. Elas já estão lá no campo, já conhecem o caminho. E me dizem para não desistir.

E o mais interessante: me fazem lembrar que num passado não tão distante assim, eu costumava cavalgar nesses campos, conhecer cada flor, cada árvore, cada pássaro a cantar! Sim, eu me lembro vagamente...o sabor da liberdade de cavalgar sem medo.

Posso cavalgar novamente??
Claro que pode...
Mas o medo...
Ele já não deve existir mais.

Sepultado está o medo.

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