Às vezes me pego olhando para o teto e pensando...não sei por quanto tempo, não sei também no que estava pensando inicialmente, mas acabo chegando a um lugar inesperado da minha mente. Hoje foi mais um desses dias. Conversando com uma amiga, percebi o quanto coisas que antes me irritavam profundamente hoje me são indiferentes. Não que eu esteja curada, veja bem: é apenas uma melhora. O raciocínio preto e branco permanece, me mata, me consome por vezes. Mas vejo o quanto as cores parecem mais misturadas. Antes a linha entre elas era visível, nítida, inconfundível. Hoje, não saberia apontar exatamente qual seria esse limite, muito embora em certos momentos ele pareça tão nítido quanto antes. Não sei se é o cansaço ou a maturidade agindo, mas algo acontece.
Eu continuo achando ridícula a menina que se acha "a foda", mas não consegue lidar com a sua solidão, o rapaz que adoece quem lhe é caro para fugir, o profissional que acha que sabe mais que todo mundo, o cara que fala alto quando tento me concentrar. Mas todos esses personagens foram me obrigando a deixar pedaços pelo caminho. Cada um ficou com uma parte minha, mesmo eu querendo-os longe de mim.
Mas...e quem eu quero perto? Acho que mais que pedaços, deixei meu coração. Rir de um mico pago publicamente, almoçar no domingo, chorar, trabalhar, aprender, conhecer. Amadurecer. Conhecer pensamentos diferentes dos meus, sem que haja a obrigação de eu pensar como eles. E nem eles como eu. Essa troca...de pedaços, de corações. Amigos, amores. Ou mesmo aquele senhor que eu nunca vi na vida, mas agradecendo tanto por ter finalmente a boa educação que ele buscava. Tudo isso são pedacinhos...que constróem o caráter de uma pessoa. O meu. O deles.
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