A monstra. A famigerada. A cruel. Sim, ela: a cólica. Como se já não me bastasse essa minha alergia a "sabe-se-Deus-o-quê" que me faz espirrar, lagrimar e fungar a cada 5 minutos, me fazendo ficar constantemente com um lenço e um descongestionante nasal ao lado (me lembrei daquela personagem do "Manual de Sobrevivência Escolar do Ned...aiaiai), ainda tenho que aturá-la também. Mas como eu estaria feliz se tivesse que aturar apenas esses dois incômodos. Contudo, meu incômodo vai um pouco além disso.
Primeiramente, tenho que aguentar os "Bianca, isso?", "Bianca, aquilo?" dos meus jovens padawans. São jovens, ainda estão aprendendo...devo ter paciência. Contudo, devo também me lembrar que o raciocínio é algo que se experimenta, e não se ensina propriamente. Vou tentando seguir esse meu pensamento, aos trancos e barrancos, mas vou tentando. A Força aguarda por eles.
Fujo para a sessão, e lá me ponho a pensar no título deste post: poder. Fico a observar a postura dos poderosos. Tento, mas não consigo: tenho que fazer alguma crítica. Penso eu: porque estamos aqui todos embecados (inclusive eu, naquela beca em que cabem duas de mim), nesta sala bonita, se tudo isso é intimidador? A pessoa que realmente precisa daquele serviço, a pessoa que será atingida pela decisão que ali está sendo tomada não entende o porquê das becas, o porquê dos rostos mal-humorados e dos olhares que aparentemente soltarão lasers se você pedir alguma informação. Porque o poder fez isso a eles? Melhor: porque eles permitiram que o poder fizesse isso a eles?
O poder de decidir o caminho que tomará a vida, os negócios, os bens, a família de outra pessoa é muito sério. E por esse motivo deveria ser mais humano. A Casa da Justiça se torna a Casa do Medo com seu piso de mármore, mas com servidores (eles têm sim o poder, mas nem por isso deixam de ser servidores, tal qual eu sou) que se embrenham por elevadores privativos para não ter que encarar os seus patrões: o povo. Sim...aquele senhor que me liga todo o dia perguntando a mesma coisa sobre o mesmo processo é patrão. Meu e deles. Não importa se ele se tornou chato, tenho que prestar uma resposta efetiva e satisfatória. Aquela senhora que sempre me procura querendo saber do processo que está em Brasília há meses também é patroa. Não importa se ela não tem crédito pra ligar pro advogado dela, e por esse motivo ela me procura.
Por isso as pessoas costumam ou me amar ou me odiar. Ou me acham muito boa ou muito hipócrita. Porque eu gosto disso. Gosto de tratar aquela senhora do mesmo jeito que eu trato aquele advogado bem arrumado de cabelos brancos. O que eu fizer para um, o outro poderá me pedir que eu farei da mesma forma. Não estou nem aí se eu ouço um "Tu tem que deixar de ser besta", ou "Deixa esse pessoal esperar". O "não" que eu digo a um filho de magistrado (eu sou filha de duas pessoas que nunca roubaram na vida. Você pode dizer isso do seu pai?) é o mesmo "não" que eu vou dizer àquele tiozinho se ele me pedir algo que não possa fazer. E não me importo se você me achar desrespeitosa com o meu "não". É minha forma de dizer "você é igual a mim, sr. filho de juiz". Minha forma de me impor. E ah, como eu gosto disso.
Se eu tivesse o poder? Se eu mudaria? Talvez. Não sei. Dizem que basta tê-lo para mudar na tentativa de manê-lo. É bem possível, ué! Ainda não estive lá em cima pra saber. No entanto, ahco que ainda prezaria o fato de ter o privilégio de deitar minha cabeça no travesseiro e poder ter uma noite de sono agradável. Ou não. Quem sabe?
Temo pelos meus jovens padawans. Acho que estou conseguindo passar a mensagem, mas...só o tempo dirá.
Ia conversar a respeito com meu ouvidor-geral. Mas ele estava tão alegre contando do dia dele e perguntando se eu estava bem das cólicas, além de estar morrendo de sono que preferi deixar o papo filosófico para o blog. Além do mais, estava com saudade. Não convém gastar o pouco tempo disponível com questões mais profundas. Deixo para o final de semana, ouvidor?
Fico por aqui. Me liga o cliente dando uma de Renato Russo, desdizendo tudo o que tinha dito antes, querendo a ação para quinta-feira (o combinado era quarta-feira que vem). É...pelo menos me livro logo. Vamos ver.
terça-feira, 23 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Não...mas...
Não...
Não procure entender minhas frases pseudo-filosóficas. Elas simplesmente nascem. Saem. Não precisa fazer sentido pra você. Deixe apenas que façam sentido para mim.
Não se assuste com as minhas carências repentinas.
Não queira saber tudo a meu respeito, pois nem eu mesma sei.
Não se queixe das saudades que sinto dos lugares que só conheço nos meus sonhos.
Não se ofenda se eu não quiser seguir um conselho seu. O livre-arbítrio existe.
Não se admire das minhas risadas inoportunas.
Não me leve tão a sério.
Não tente me prender. Eu sempre fujo.
Não me considere uma teoria revelada.
Não acredite nos meus sorrisos nervosos. Na verdade eu quero chorar.
Mas...
Me abrace.
Me olhe enquanto durmo.
Segure a minha mão quando o medo bater.
Não diga nada quando as palavras nada dizem.
Faça aquele olhar que diz "eu estou com você".
A sua existência significa algo para mim. Algo relevante. Importante.
Só sentimentos arrumados em frases. Só isso.
Não procure entender minhas frases pseudo-filosóficas. Elas simplesmente nascem. Saem. Não precisa fazer sentido pra você. Deixe apenas que façam sentido para mim.
Não se assuste com as minhas carências repentinas.
Não queira saber tudo a meu respeito, pois nem eu mesma sei.
Não se queixe das saudades que sinto dos lugares que só conheço nos meus sonhos.
Não se ofenda se eu não quiser seguir um conselho seu. O livre-arbítrio existe.
Não se admire das minhas risadas inoportunas.
Não me leve tão a sério.
Não tente me prender. Eu sempre fujo.
Não me considere uma teoria revelada.
Não acredite nos meus sorrisos nervosos. Na verdade eu quero chorar.
Mas...
Me abrace.
Me olhe enquanto durmo.
Segure a minha mão quando o medo bater.
Não diga nada quando as palavras nada dizem.
Faça aquele olhar que diz "eu estou com você".
A sua existência significa algo para mim. Algo relevante. Importante.
Só sentimentos arrumados em frases. Só isso.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Pedaços pelo caminho
Às vezes me pego olhando para o teto e pensando...não sei por quanto tempo, não sei também no que estava pensando inicialmente, mas acabo chegando a um lugar inesperado da minha mente. Hoje foi mais um desses dias. Conversando com uma amiga, percebi o quanto coisas que antes me irritavam profundamente hoje me são indiferentes. Não que eu esteja curada, veja bem: é apenas uma melhora. O raciocínio preto e branco permanece, me mata, me consome por vezes. Mas vejo o quanto as cores parecem mais misturadas. Antes a linha entre elas era visível, nítida, inconfundível. Hoje, não saberia apontar exatamente qual seria esse limite, muito embora em certos momentos ele pareça tão nítido quanto antes. Não sei se é o cansaço ou a maturidade agindo, mas algo acontece.
Eu continuo achando ridícula a menina que se acha "a foda", mas não consegue lidar com a sua solidão, o rapaz que adoece quem lhe é caro para fugir, o profissional que acha que sabe mais que todo mundo, o cara que fala alto quando tento me concentrar. Mas todos esses personagens foram me obrigando a deixar pedaços pelo caminho. Cada um ficou com uma parte minha, mesmo eu querendo-os longe de mim.
Mas...e quem eu quero perto? Acho que mais que pedaços, deixei meu coração. Rir de um mico pago publicamente, almoçar no domingo, chorar, trabalhar, aprender, conhecer. Amadurecer. Conhecer pensamentos diferentes dos meus, sem que haja a obrigação de eu pensar como eles. E nem eles como eu. Essa troca...de pedaços, de corações. Amigos, amores. Ou mesmo aquele senhor que eu nunca vi na vida, mas agradecendo tanto por ter finalmente a boa educação que ele buscava. Tudo isso são pedacinhos...que constróem o caráter de uma pessoa. O meu. O deles.
Eu continuo achando ridícula a menina que se acha "a foda", mas não consegue lidar com a sua solidão, o rapaz que adoece quem lhe é caro para fugir, o profissional que acha que sabe mais que todo mundo, o cara que fala alto quando tento me concentrar. Mas todos esses personagens foram me obrigando a deixar pedaços pelo caminho. Cada um ficou com uma parte minha, mesmo eu querendo-os longe de mim.
Mas...e quem eu quero perto? Acho que mais que pedaços, deixei meu coração. Rir de um mico pago publicamente, almoçar no domingo, chorar, trabalhar, aprender, conhecer. Amadurecer. Conhecer pensamentos diferentes dos meus, sem que haja a obrigação de eu pensar como eles. E nem eles como eu. Essa troca...de pedaços, de corações. Amigos, amores. Ou mesmo aquele senhor que eu nunca vi na vida, mas agradecendo tanto por ter finalmente a boa educação que ele buscava. Tudo isso são pedacinhos...que constróem o caráter de uma pessoa. O meu. O deles.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Seja feliz
- Você gosta de Manaus?
- Gosto...tirando o calor, que me deixa toda suja de suor!
- Eu gosto de Manaus.
- Ah é? Porque?
- Por que eu encontrei uma coisa muito importante aqui.
- O quê?
- Você.
7 anos dessa conversa. Trapalhadas do destino à parte, quero que você seja muito, mas muito feliz! Que Deus te transmita esta minha mensagem =)
- Gosto...tirando o calor, que me deixa toda suja de suor!
- Eu gosto de Manaus.
- Ah é? Porque?
- Por que eu encontrei uma coisa muito importante aqui.
- O quê?
- Você.
7 anos dessa conversa. Trapalhadas do destino à parte, quero que você seja muito, mas muito feliz! Que Deus te transmita esta minha mensagem =)
sábado, 16 de janeiro de 2010
Música
Gosto muito de música...é uma das coisas que me ajuda a dormir durante minhas fases de insônia ou então que tem o dom de me acalmar quando todo o chão me parece tão inseguro pra pisar com segurança. Gosto das mais agitadas pra me alegrar, e das mais calmas pra me fazerem pensar. Esse é o caso desta música do Barão Vermelho...ouço repetidas vezes e não enjôo. Além de ter uma melodia muito bonita, me identifico muito com a letra.
Às vezes a vontade de radicalizar é forte...de dizer as coisas que me vêm à cabeça, de esvaziar um coração que acumula as mágoas. Mas aí vêm você, com seu olhar calmo que parece ler a minha carência, com a mão que toca, com a cabeça que encosta no ombro. Todas as armas que eu tinha preparado desaparecem. Minha lógica se revolta comigo mesma; como você nega bem no último instante? Mas meu coração apenas se acalma e diz, que bom que você sempre volta. O conflito interno é constante, perene...duas pessoas vivendo em um só corpo? Duas personalidades, uma calma que se mostra às pessoas, e outra confusa, que duvida, que tem medo, que é insegura...é isso possível?
No meu entender, é mais ou menos isso que a música trata. Mandou bem, Cazuza.
Eu queria ter uma bomba
Barão Vermelho
Composição: Cazuza
Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas
Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em homicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê
Às vezes a vontade de radicalizar é forte...de dizer as coisas que me vêm à cabeça, de esvaziar um coração que acumula as mágoas. Mas aí vêm você, com seu olhar calmo que parece ler a minha carência, com a mão que toca, com a cabeça que encosta no ombro. Todas as armas que eu tinha preparado desaparecem. Minha lógica se revolta comigo mesma; como você nega bem no último instante? Mas meu coração apenas se acalma e diz, que bom que você sempre volta. O conflito interno é constante, perene...duas pessoas vivendo em um só corpo? Duas personalidades, uma calma que se mostra às pessoas, e outra confusa, que duvida, que tem medo, que é insegura...é isso possível?
No meu entender, é mais ou menos isso que a música trata. Mandou bem, Cazuza.
Eu queria ter uma bomba
Barão Vermelho
Composição: Cazuza
Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas
Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em homicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Estranho
É tão estranho aquele sentimento de estar rodeada de pessoas, mas mesmo assim sozinha. É como se você não pertencesse a este mundo, a esta dimensão, sei lá...ele está perto, mas está preocupado demais com as coisas dele para te dar um pouco de atenção ou para bolar um programa juntos. Não tem aquele colo onde você pode simplesmente deitar e chorar quando a solidão aperta, não tem aquela sensação de ter com quem contar sempre, de ter alguém perto pra te livrar das enrascadas que você se meter, nada. As pessoas sempre te encontram quando precisam de ajuda. Mas e você? E eu? Quem me ajuda? Quem me abraça e diz que tudo vai ficar bem? No meio da frase que estou montando, tentando abrir meu coração, sou sempre interrompida pelos assuntos alheios. E eu, educadamente, me calo diante disso. Guardo pra mim meus medos, meus anseios, meus desesperos, meus precicípios. Não tem herói nenhum pra me salvar. Não tem ninguém pra perguntar "Está tudo bem?" sem que haja algum interesse por trás. Não tem, não tem.
É melhor me acostumar. O fato de eu não gostar da solidão não fará com que alguém verdadeiro se aproxime. Seguir em frente é a opção. A única.
É melhor me acostumar. O fato de eu não gostar da solidão não fará com que alguém verdadeiro se aproxime. Seguir em frente é a opção. A única.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Sempre
Sempre que eu saio da minha concha, resolvo olhar alguém nos olhos e dizer o quanto gosto dela, a pessoa me decepciona. Não sei que karma é esse que eu tenho. Que merda.
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